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23 de mai de 2018

CRISE HIPERTENSIVA: prevenção, sinais e sintomas e tratamento

CriseHipertensiva Imagem

Priscila Pacheco Cabral

A Hipertensão Arterial Sistêmica, também chamada de HAS, é uma doença crônica não transmissível e considerada hoje como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, (OMS), as doenças do aparelho circulatório são responsáveis por cerca de 17 milhões de mortes/ano em todo o mundo, sendo que 55,3% corresponderam a complicações referentes à Hipertensão Arterial. No Brasil, entre 25% e 35% dos adultos são hipertensos e, embora seja uma doença de alta prevalência, a maioria desconhece o seu problema, aumentando o risco de Insuficiência Cardíaca, Doença Coronariana, Doença Renal Progressiva e Acidentes Vasculares Encefálicos.

CRISE HIPERTENSIVA é o aumento repentino, de característica grave, inapropriada e sintomática da pressão arterial em uma pessoa normotensa ou hipertensa. É um quadro agudo grave que, se não controlado, pode provocar danos severos aos vasos sanguíneos em pouco tempo. A CRISE HIPERTENSIVA é definida como Pressão Arterial ≥180 x 120 mmHg, vulgarmente conhecida como 18×12, acompanhada de sintomas que podem ser brandos, cefaleia, tontura, zumbido, ou graves, dispneia, dor precordial, coma e morte, podendo haver ou não lesão aguda de órgãos-alvo. Se os sintomas forem brandos e não acompanhados de lesão aguda de órgãos-alvo, a CRISE HIPERTENSIVA é definida como URGÊNCIA HIPERTENSIVA. Entretanto, se os sintomas colocarem em risco a vida do paciente e estiver associado à lesão aguda de órgão-alvo, define-se como EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA.

Na Urgência Hipertensiva os objetivos terapêuticos devem ser alcançados dentro de 24h, utilizando-se drogas por via oral para o tratamento. Pacientes que apresentam Urgência Hipertensiva são expostos a um maior risco futuro de eventos cardiovasculares quando comparados com hipertensos que não são acometidos pela CRISE HIPERTENSIVA, evidenciando-se, assim, o impacto da CRISE HIPERTENSIVA no risco cardiovascular de indivíduos hipertensos e confirmando a necessidade de controle adequado da Pressão Arterial.

Já na EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA há elevação abrupta da pressão arterial ocasionando, a nível cerebral, perda da autorregulação do fluxo sanguíneo, repercutindo em lesões vasculares. Além disso, também podem estar associadas à Acidente Vascular Encefálico, ao Edema Agudo dos Pulmões, às Síndromes Isquêmicas Miocárdicas Agudas e à Dissecção Aguda da Aorta. Neste cenário, necessita-se de manejo imediato e encaminhamento da pessoa para o serviço de Urgência e Emergência. A redução da Pressão Arterial deve ser alcançada imediatamente com o uso de antihipertensivos intravenosos, retirando o paciente da situação de risco de morte e/ou lesão orgânica grave.

Existe um número alto de pacientes portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica que não realizam o tratamento corretamente, propiciando inúmeras complicações ao longo de suas vidas, incluindo a CRISE HIPERTENSIVA. Por isso, faz-se necessário o controle rigoroso e contínuo dos níveis pressóricos para garantir a manutenção da função vital do organismo e, consequentemente, prevenir adoecimentos graves.

Como a HAS é uma doença que, geralmente, não pode ser curada, é necessário que o paciente adote medidas não só farmacológicas, mas também de modificações no seu estilo de vida.

Algumas medidas que devem ser tomadas na prevenção e adotadas como tratamento:

• Redução do consumo de sal – A dieta com baixo teor de sódio tem efeito profilático e terapêutico sobre a HAS. O uso de sal nos alimentos deve ser reduzido ao máximo.

• Dieta mais saudável – Inserir no cardápio o consumo de frutas, verduras e legumes variados. Reduzir o consumo de açúcar, gorduras e produtos industrializados.

• Atividade física regular – Discutir junto ao médico e equipe multidisciplinar, alternativas de atividade física, respeitando suas preferências e limitações. O ideal é que seja pelo menos 35 minutos diários, quatro vezes na semana.

• Mudança de hábitos – Abandono do tabagismo e moderações no uso de bebidas alcoólicas.

• Adesão correta ao tratamento – O esquecimento do uso da medicação pode ocasionar as CRISES HIPERTENSIVAS. É importante adequar o tratamento e buscar alternativas que evitem a falha no uso da medicação.

É essencial que a equipe multidisciplinar crie estratégias que desenvolvam ações de promoção e prevenção, além de ações de recuperação e proteção à saúde, a fim de proporcionar melhoria e manutenção da qualidade de vida.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estratégias para o cuiado da pessoa com doença crônica: Hipertensão Arterial. 2013.Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_37.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.

LOBO, Larissa Aline Carneiro et al. Tendência temporal da prevalência de hipertensão arterial sistêmica no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 33, n. 6, p.1-13, jul. 2016. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/0102-311×00035316. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v33n6/1678-4464-csp-33-06-e00035316.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2018.

MAGALHÃES, Maria Eliane Campos et al. Prevenção da hipertensão arterial: para quem e quando começar. Revista Brasileira de Hipertensão, Rio de Janeiro, v. 17, n. 2, p.93-97, jun. 2010. Disponível em: <http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/17-2/08-prevencao.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2018.

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