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23 de mai de 2018

Câncer de pulmão

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Marcelo Félix

O câncer de pulmão é um tumor caracterizado pela quebra dos mecanismos celulares naturais do pulmão, a partir de estímulos carcinogênicos ao longo dos anos, levando ao crescimento desorganizado de células malignas. 85% dos casos de câncer de pulmão é causada pela exposição à fumaça do tabaco em longo prazo. Não fumantes com câncer de pulmão compreendem cerca de 10-15% dos casos, e são, frequentemente, atribuídos a fatores genéticos e à exposição ao gás radônio, ao asbesto ou à poluição do ar, o que inclui o tabagismo passivo.

Intimamente as células normais do pulmão sofrem uma mutação em genes específicos que estão relacionados à multiplicação celular. Essa mutação faz com que essa célula se multiplique descontroladamente, levando à formação de um conglomerado de células – o câncer. Assim este tumor pode atingir desde a traqueia até a periferia do pulmão sendo uma das principais causas de morte entre as neoplasias no Brasil.

Os sintomas são muito variáveis, dependendo da localização do tumor o indivíduo pode apresentar tosse com ou sem presença de sangue, falta de ar, rouquidão, dor torácica, dificuldade para engolir, emagrecimento, além de outros sintomas inespecíficos.

A maneira mais fácil de diagnosticar o câncer de pulmão é através de raio-X do tórax complementado por tomografia computadorizada, quando há presença de algum nódulo visível ao raio-X. A broncoscopia (endoscopia respiratória) deve ser realizada como complementação diagnóstica para avaliar a árvore traqueobrônquica e, eventualmente, permitir a biópsia.

É fundamental obter um diagnóstico de certeza, seja pela citologia ou patologia. Uma vez obtida à confirmação da doença, é feito o estadiamento, que avalia o estágio de evolução, ou seja, verifica se a doença está restrita ao pulmão ou disseminada por outros órgãos. Apesar de a cirurgia ser considerada o tratamento de maior chance de controle e cura, poucos são os candidatos a uma ressecção completa do tumor – cerca de 10% a 20% dos casos apenas. Entre esses, uma porcentagem reduzida se beneficia claramente da cirurgia. A radioterapia com intenção curativa, associada ou não à quimioterapia, tem sido reservada para pacientes que não podem ser operados por questões técnicas, como a localização do tumor, ou questões clínicas, como a saúde do paciente.

Uma vez que o consumo de derivados do tabaco está na origem de 90% dos casos independentemente do tipo, não fumar é o primeiro cuidado para prevenir a doença. A ação permite a redução do número de casos e de mortalidade. Deve-se evitar, ainda, a exposição a certos agentes químicos como o arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila, gás de mostarda e éter de clorometil, que são encontrados principalmente no ambiente ocupacional. Exposição à poluição do ar e a história familiar de câncer de pulmão são fatores de risco que favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer.

Qualquer uma das manifestações de sintomas, principalmente se conhecida à exposição aos fatores de risco, deve servir como um alerta para uma investigação médica.

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REFERÊNCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) [homepage on the Internet]. Rio de Janeiro: INCA; [cited 2016 Jan 2]. Estimativa 2016: Incidência de Câncer no Brasil; 2015. Available from: http/inca.gov.br

BRASIL. Ministério da saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas – Política Nacional de Saúde do homem (Princípios e Diretrizes). Brasília, 2008.
KALIKS, R. A; MATOS, T. F; SILVA, V. A; BARROS, L. H. C. Diferenças no tratamento sistêmico do câncer no Brasil: meu SUS é diferente do teu SUS. Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil. Braz J Oncol. 2017; 13(44):1-12

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