A saúde do colaborador além da visão de benefício saúde

As empresas sistematicamente vem ano a ano recebendo propostas de reajustes de suas operadoras de saúde ou corretoras. Faz-se necessário entender por que isso ocorre e o que as corporações precisam fazer para reverter este cenário que tende a perpetuar, e quais serão as consequências, se não assumirem o seu papel neste segmento.

O cenário econômico na saúde é de aumento do índice inflacionário do setor, que historicamente é o dobro dos índices inflacionários como IPCA, IGPM. Pesquisas publicadas em 2008 (BOSSI, et al) mostraram que para se manter o mesmo nível de atendimento a saúde da população brasileira, nos próximos 20 anos, o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado ao financiamento dos serviços e bens de saúde deve dobrar (8% para 16%), caso mantenha-se à relação inflação em saúde (10%) duas vezes a inflação geral (5%) concatenado com um crescimento do país em torno de 2% a 3% do PIB.

É importante ressaltar que o Brasil investiu em 2005, R$171 bilhões na compra de produtos e serviços de saúde segundo dados do IBGE, ou o referente a 8% do PIB. A fatia deste recurso financeiro sob responsabilidade do setor publico foi de 39%, enquanto as famílias foram responsáveis por 60%, ou seja, é do bolso das famílias que sai a maior parte dos recursos destinados ao pagamento dos serviços e insumos de saúde no Brasil.

Vale destacar que com o aumento do percentual do PIB destinado ao financiamento dos serviços de saúde no Brasil aumente, nos próximos 20 anos, de 8% para 16% e com a tendência de transferência da responsabilidade deste financiamento para as famílias, o percentual da renda familiar destinado a compra de bens e serviços de saúde aumentará (de 6% para 15%) consequentemente, podendo se tornar insustentável o acesso a estes serviços.

Outro ponto relevante, refere-se à fonte de receita que permite às famílias terem capacidade de compra destes bens e serviços de saúde, que é o trabalho e emprego. Nos últimos seis anos, o setor suplementar de saúde cresceu 100% em termos de receita por exatamente ter como principal cliente os planos corporativos ou os benefícios de plano de saúde pagos ou subsidiados pelas empresas.

Verifica-se também que os custos com a assistência estão aumentando e que o motivo maior é a forma como os bens e serviços de saúde estão sendo disponibilizados e geridos para o atendimento da população, evidenciando um descompasso entre o modelo de gestão de saúde e a necessidade dos beneficiários.

Nos últimos 20 anos, tem sido discutida a questão da reorientação dos serviços de saúde e consequentemente a forma de comprar e vender bens e serviços de saúde, pautados na identificação da necessidade de forma proativa, levando em consideração uma cadeia de determinação social da doença. A inovação tecnológica e o gerenciamento da informação clínica é pilar para esta reorientação.

O modelo de saúde pautado na promoção, prevenção de riscos, gerenciamento de doenças, cura e reabilitação precede o desenho das tecnologias de informação e comunicação em saúde.

 

Algumas regras de ouro para as empresas são sugeridas abaixo:

Estabelecer novas expectativas para os planos de saúde para os empregados

  • Escolher planos que demostrem excelência no desempenho dos papéis;
  • Selecionar planos de saúde com base em resultados de saúde, e não em conveniência administrativa.

 

Promover a continuidade do mesmo plano de saúde para os empregados, em vez da rotatividade

  • Alinhar os interesses, encorajando relacionamento de longo prazo entre o plano e os seus beneficiários e não ficar trocando o tempo todo.

 

Enfatizar a competição em resultados entre prestadores

  • Esperar a demonstração de excelência por parte de todos os prestadores envolvidos no atendimento dos funcionários;
  • Colaborar com outros empregadores para o avanço da competição baseada em valor.

 

Apoiar e motivar os funcionários para que façam boas escolhas e gerenciem a sua própria saúde

  • Oferecer estímulo, incentivos e apoio aos funcionários no gerenciamento da saúde;
  • Fornecer informações e serviços de aconselhamento imparcial aos funcionários o quanto antes;
  • Oferecer estrutura de planos de saúde que forneçam um bom valor e encorajam economias para necessidades de saúde de longo prazo.

 

Mensurar e responsabilizar a equipe de benefícios pelo valor da saúde do corpo funcional da empresa

  • Os benefícios de saúde, em última análise, têm que ser uma das responsabilidades da liderança, sendo a equipe de benefícios, responsável pelos resultados.

 

 

Dr. Leonardo Pereira Florêncio

Mestre em Política de Saúde e Planejamento – UFMG

Pesquisador  Ministério da Saúde – Nescon Adoc

Presidente da ePrimeCare – Gestão de Cuidados em Saúde S/A